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GESTÃO COMERCIAL

Gestão comercial: os 4 rituais que separam operação previsível de operação REATIVA

Operação reativa tem mês bom e mês ruim sem explicação. Operação com ritual tem causa identificada.

Por Matheus Bottino17 de setembro de 20265 min de leitura

Pergunte a um gestor comercial o que ele faz e a resposta quase sempre vem em forma de reação: apaga incêndio, cobra número, entra em negociação travada, resolve problema de cliente.

Reação não é gestão. Gestão é o que acontece na mesma hora, todo dia, independente de estar tudo bem ou tudo ruim.

A diferença entre as duas coisas é visível no resultado: operação reativa tem mês bom e mês ruim sem explicação, e operação com ritual tem mês bom e mês ruim com causa identificada. A segunda consegue corrigir. A primeira só torce.

O que segue é a estrutura de rituais e indicadores que a gente implanta nos projetos.

Diário: fechar o CRM

Um único ritual, e ele leva quinze minutos no fim do expediente.

Nenhuma tarefa do dia fica em aberto. O que foi feito, marca como concluído. O que não foi feito, reagenda com data real. O que virou outra coisa, atualiza.

Parece pequeno demais para ser chamado de ritual de gestão, e é justamente o que sustenta todo o resto. Se o CRM não fecha todo dia, o dado da semana já nasce errado, e aí a reunião de pipeline vira uma discussão sobre se o número está certo em vez de uma discussão sobre o que fazer.

A checagem do gestor é uma só: no fim do dia, quantos negócios em aberto estão sem próxima atividade agendada. O número esperado é zero.

Semanal: pipeline e escuta de ligação

Duas atividades, e a segunda é a que quase nunca acontece.

A revisão de pipeline é conhecida: olhar os negócios em aberto, etapa por etapa, e decidir o que fazer com os que estão travados. Vale fazer olhando a data da última interação, não o valor do negócio, porque negócio grande parado há três semanas é mais urgente que negócio pequeno de ontem.

A segunda é escutar pelo menos duas gravações de chamada por pessoa do time, toda semana.

Essa é a que os gestores cortam primeiro quando a semana aperta, e é a que mais muda resultado. Você não descobre por relatório que o vendedor está apresentando preço cedo demais, ou que não está confirmando quem mais participa da decisão. Você descobre ouvindo.

Quinze minutos de gravação por pessoa. Se o time tem quatro pessoas, é uma hora por semana.

Quinzenal: revisar o recorte de lista

Vale para operação com prospecção ativa.

A cada quinze dias, avaliar o recorte de lista que está sendo trabalhado: manter, ampliar ou trocar de segmento. A pergunta é direta, e a resposta sai do cruzamento entre a planilha de construção de lista e o funil. Qual recorte gerou mais reunião qualificada por lead trabalhado.

Sem esse ritual, o time prospecta o mesmo segmento por seis meses porque ninguém parou para olhar se ele ainda está performando.

Mensal: motivos de perda, cases e fila de resgate

Três coisas, e todas olham para trás para arrumar o que vem.

Revisão dos motivos de perda. Pegue a distribuição do mês. Se “preço” responde por metade das perdas, o problema pode ser posicionamento, pode ser qualificação deixando entrar quem não tem orçamento, pode ser discurso de valor fraco na reunião. A distribuição não diz qual é, mas diz onde investigar.

Atualização dos cases. Case novo do mês que passou entra na biblioteca com número. É o material que o time usa na reunião seguinte.

Fila de resgate. Todo negócio perdido por “fora do momento” com data de resgate marcada precisa ser reaberto e trabalhado. Essa é a fonte de pipeline mais barata que existe numa operação, e a que mais gente deixa morrer.

Os indicadores, e onde cada um mora

Indicador sem origem definida vira discussão sobre a fonte do número. Cada um precisa ter um lugar onde é medido:

1- Tentativas de ligação por dia — relatório da ferramenta de telefonia
2- Taxa de atendimento por faixa horária — mesmo relatório
3- Conexões com decisor — atividades no CRM
4- Leads que avançam para “em conversa” — funil
5- Reuniões agendadas e realizadas — funil
6- Conversão de proposta para ganho — funil
7- Distribuição dos motivos de perda — campo de motivo de perda
8- Performance por recorte de lista — planilha de lista cruzada com o funil

Repare que a maior parte sai do CRM sem nenhum trabalho manual, desde que o time preencha o que tem que preencher. É por isso que o ritual diário é o alicerce de tudo: sem ele, esses oito indicadores viram estimativa.

Gestão por indicador, não por percepção

Essa é a frase que eu mais repito em projeto.

Percepção é o gestor achar que o vendedor A está bem e o B está mal. Às vezes está certo. O problema é que, quando está errado, ninguém descobre, porque não existe número para contradizer a percepção.

Indicador é a taxa de conversão de proposta para ganho de cada um, lado a lado, em cima do mesmo período e do mesmo tipo de lead. Aí a conversa muda de “você precisa melhorar” para “sua conversão de proposta caiu de 31% para 19% nos últimos dois meses, vamos ouvir três ligações e entender onde”.

A segunda conversa é mais difícil de ter e infinitamente mais útil. E ela só existe se os rituais acima estiverem rodando, porque é deles que o número sai. Quando a operação já tem esses dados limpos, dá para subir um passo e colocar tudo em painel de indicadores em tempo real.

Comece pelo diário

Se a sua operação não tem nenhum desses rituais hoje, não tente implantar os quatro na mesma semana.

Comece pelo fechamento diário do CRM, e segure por um mês até virar automático. Sem ele, os outros três rodam em cima de dado furado e você vai tomar decisão errada com cara de decisão embasada, que é pior do que decidir no achismo sabendo que está no achismo.

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